A aguardada adaptação de Frankenstein por Guillermo del Toro para a Netflix não é apenas mais um filme de monstro; é um projeto de paixão que já nasce com cheiro de Oscar. Com um elenco estelar incluindo Oscar Isaac, Mia Goth e Jacob Elordi, novos detalhes dos bastidores revelam uma produção que mistura horror físico extremo com profundidade psicológica.
O diretor e o elenco abriram o jogo sobre a exaustiva rotina no set e a filosofia por trás desta releitura do clássico de Mary Shelley.
A Agonia Física da Criatura: 42 Próteses e Dança Butoh
O destaque absoluto dos bastidores é a transformação de Jacob Elordi. O ator, que interpreta a Criatura, enfrentou uma maratona diária de maquiagem que durava cerca de 11 horas. Para dar vida ao monstro, Elordi sustentava 42 peças de próteses pelo corpo, sendo 14 delas apenas na cabeça e no pescoço.
Mas a atuação vai além da maquiagem. Elordi revelou que baseou os movimentos do personagem na dança Butoh, uma performance japonesa conhecida como “a dança para reanimar um cadáver”. Seu objetivo é evocar empatia, não apenas medo: “Todos nós nascemos como essa Criatura nesse mundo, antes de tomarmos consciência”, explicou o ator.
Uma Dinâmica Pai e Filho (Sem Freud)
Embora a história seja frequentemente analisada sob lentes psicanalíticas, del Toro rejeita a abordagem puramente acadêmica. Para ele, a relação entre Victor Frankenstein e sua Criação é profundamente pessoal.
“Acho que isso foi mais influenciado por meu pai e eu, e por mim e meus filhos, do que por Freud”, declarou o diretor, brincando que ele próprio é “fácil de ler”, dispensando análises complexas do pai da psicanálise.
Victor Frankenstein: A Criança Ferida que Não Cresce
Oscar Isaac, que vive o cientista louco, ofereceu uma visão sombria de seu personagem. Ao contrário da Criatura, que aprende e evolui, Victor é estático. “Ele não se transforma. Ele continua sendo a criança ferida. Em qualquer reação, ele ainda tem nove anos de idade”, disse Isaac.
O ator também elogiou a liberdade criativa no set. Esperando um diretor controlador devido ao perfeccionismo visual de del Toro, Isaac se surpreendeu ao encontrar um ambiente de “experimento livre”, onde a colaboração ditava o ritmo das filmagens.